sábado, 11 de maio de 2013

Senhor Murfi Optimista.

Complexidade terceira impulsionada pela maldade de dois complexos. Realista perante isto, assou muffins de banana e anelava por um batido de chocolate.
Chocolate, checked. Leite, checked. Chantilly, checked. Gelo, checked.
A varinha mágica não funciona.
"Procedimento número uno...", pensou o senhor, "... testari a tomadi."
Cai um prato, quando passa bruscamente pelo lava-loiça. Vira-se de súbito e dá uma cotovelada numa chávena de porcelana, que fora da sua avó Emili.
"Mais qui una coisé qui corre mali, todi as outras correrão mali!", exclamou o fulano.
E assim, foi ao encontro da famosa complexidade terceira e nunca concretizou o desejo do batido.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

Adeus mentalmente proibido.

Cada "Então, vizinha?" traz uma despedida e um dói-dói. Mas algumas despedidas trazem novos "Então, vizinha?" pronunciados pelo mesmo. Cinco ou seis laranjas saborosas comidas e bebidas, cascas no lixo e caroços pela porta fora. O cheiro físico e carnal permanece um ou dois dias. A seguir, banhos têm de ser tomados.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Natural personificado.

Desgaste.
Abrasão. 
Erosão. 
Despedaçamento. 
Queda. 

A rocha fragmentada vai rolando com outras rochas, também feridas, numa superfície íngreme, de fim e tempo desconhecidos. Corta-se aos poucos e poucos. Poli-se. Fica lisa, límpida e macia.

O fim avizinha-se. Bonança pós-tempestade.

Quietude. Sedimentação. Compactação. Cimentação.

De novo, tudo novo. Talvez, exactamente no mesmo local da queda.




domingo, 24 de março de 2013

O medo não existe.

Abstracto e compacto. Intuitivo e abrasivo.

Medo do começo. Medo do fim. Medo do ontem. Medo do amanhã. Medo do conhecido. Medo do desconhecido. Medo do certo. Medo do errado.
MEDO DO MEDO.
Medo de compreender o medo.

Potente e abstinente. Surreal e irreal.