Deambulo pelo mundo das letras, à busca de um assunto para uma produção condenável de tema livre, com o desejo incandescente de encontrar algo que seja vibrante e magnético, tanto para mim como para si, com prazo de entrega. Mas não encontro nada de especial.
Surdez, sonhos, pepinos (sugestão de uma mãe amante da frescura destes alongados legumes), ópera e teatro, problemas dos jovens da atualidade, o novo acordo ortográfico, etc. Foram os temas que me vieram à cabeça , mas nenhum deles me seduziu. São tão enfadonhos.
Começo a redigir acerca de bagatelas e não consigo completar por ser tão ordinário. Enervo-me um pouco, constantemente a premir o botão "delete" do teclado cada vez que escrevo uma palavra.
As semanas transformam-se em dias. Os dias transformam-se em horas. O tempo passa aceleradamente e ainda não fiz nada. Chego à véspera do prazo com nada. Desespero.
Começo a suplicar a todos os livros, que se encontram sossegados e sensatamente organizados na estante branca e quadrada do IKEA, no meu quarto, para que me dêem uma luz. E nada... absolutamente nada!
Frustrada, deito-me na minha cama (também do IKEA), pego no meu portátil e pouso-o no meu colo. Começo a escrever "Tema Livre" em letras maiúsculas e a negrito, com tamanho 20. Olho para cada letra destacada no monitor. Sorrio.
"Tema Livre" agrada-me vagarosamente e o meu sorriso fica cada vez maior diante das palavras, umas seguidas de outras, no monitor. Dactilografo de maneira veloz, com os vocábulos a fazerem corrida na minha cabeça. Sinto-me mais satisfeita. Chego a este parágrafo com um sorriso triunfante de uma árdua luta.
Uma produção que me dá prazer. Simples, com sal e pimenta q.b., a meu gosto. Pode detestar ou não, está ao seu critério.
Porém, sinto-me vitoriosa! Trezentas palavras certinhas, nem mais nem menos!
5 de Outubro de 2011
Para a estimada Professora que tanto gostei de rever hoje.